'Professor enviado do Satanás': polícia apura vídeo com ataque a religiões de matriz africana em escola do DF
Polícia investiga caso de discriminação religiosa em escola Um vídeo com ataques a religiões de matriz africana, gravado em frente a uma escola pública do...
Polícia investiga caso de discriminação religiosa em escola Um vídeo com ataques a religiões de matriz africana, gravado em frente a uma escola pública do Distrito Federal, passou a circular em aplicativos de mensagens e é investigado pela Polícia Civil como intolerância religiosa. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp Nas imagens (veja vídeo acima), uma mulher critica uma atividade realizada no Centro de Ensino Fundamental 1 do Varjão e faz ofensas ao associar o conteúdo apresentado a práticas religiosas. "Tá acontecendo aqui no CEF 1 do varjão. Professor ensinando a tocar tambor, olha bem até aonde que vai o nível dos professores hoje em dia. Vê se tem condição um negócio desse... (batuques ao fundo) [...] Esse professor é enviado do Satanás, o que ele vai ensinar ai? Isso é cultura? É o quê", diz a mulher. Em outro momento, áudios atribuídos a participantes de um grupo ampliam os ataques, com xingamentos e ameaças direcionadas às religiões afro-brasileiras. "Em vez de tá ensinando coisa boa às crianças, pegar a Bíblia pra ler, aí ó... Bota uma macumbeira dessa daí pra ver o que eu faço com ela... Isso aí é religião pra ensinar criança mesmo não, é ensinar coisa boa", relata um dos áudios. Segundo a apuração da TV Globo, o vídeo foi compartilhado em um grupo com cerca de 600 integrantes, incluindo pais de alunos da escola. A gravação teria sido feita para denunciar o que a autora considerou inadequado, mas acabou gerando uma série de manifestações com teor discriminatório. Oficina de música Escola Classe Varjão, no DF TV Globo/reprodução De acordo com a direção do colégio, a atividade ocorreu na última sexta-feira (29) e consistiu em uma oficina de música voltada à apresentação de expressões culturais afro-brasileiras. A ação teve duração de cerca de duas horas e contou com a participação de aproximadamente 50 alunos. Ainda segundo a unidade, a oficina foi realizada por um grupo de músicos e financiada pela Fundação de Apoio à Cultura (FAC). Um projeto de capoeira que atua na região desde 2007 também acabou sendo alvo indireto das críticas após ter sido confundido com a atividade. O mestre de capoeira responsável afirmou que recebeu mensagens após a repercussão do vídeo. Segundo ele, a atividade criticada não tinha relação com o grupo, mas mesmo assim houve associação equivocada nas redes. Discriminação religiosa A Polícia Civil informou que o caso se enquadra no crime de discriminação religiosa, cuja pena pode variar de um a cinco anos de prisão e não admite fiança. A delegada Ângela Santos, da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa, ou por Orientação Sexual ou Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin), explicou que a situação também envolve a aplicação da lei n° 10.639, que prevê o ensino da cultura afro-brasileira nas escolas. Delegada Ângela Santos, da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa, ou por Orientação Sexual ou Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin) TV Globo/Reprodução Segundo ela, a legislação garante que aspectos culturais e históricos dessas tradições façam parte da educação. "O professor esta aplicando a lei 10.639, que é a lei que obriga a educação brasileira a ensinar tudo que venha da cultura, da religiosidade africana. E, además, também nós temos a discriminação religiosa quando nos áudios essas pessoas, ofende a religião do outro com xingamentos, com palavras depreciativas, com palavras que demonizam a religião do outro," diz Ângela. A Polícia Civil destaca ainda que, nesses casos, a investigação pode ser iniciada mesmo sem registro formal de ocorrência. Dados da Secretaria de Segurança Pública indicam aumento nos registros desse tipo de crime no DF. Entre janeiro e maio do ano passado, foram contabilizados 12 casos de discriminação religiosa. No mesmo período deste ano, o número subiu para 27. LEIA TAMBÉM: CENTRAD: Governo do DF diz que vai usar complexo de prédios pronto há 12 anos e nunca ocupado BENEFÍCIO: Filho de delegado que baleou três mulheres no DF passa a receber pensão após a morte do pai Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.